Vitória - ES - 21/11/2008.
 




Quais são os principais projetos a serem desenvolvidos pela nova diretoria do Sindhes?


Benjamin - Alguns projetos já estão em andamento e vamos tentar implementar outros. Um deles é a Nova Classificação Hospitalar. Já fechamos contrato com uma empresa de Belo Horizonte para iniciar esse trabalho e estamos visitando diversos hospitais. Queremos fazer uma espécie de raio-x dos estabelecimentos de saúde do Estado, usando critérios abertos e transparentes para classificar os hospitais em A, B ou C.


Essa estratégia só foi utilizada até hoje por um Estado brasileiro, o Paraná. Esse levantamento da situação do setor de saúde (hospitais, clínicas radiológicas, odontológicas, de medicina nuclear etc) servirá também para atualizarmos nosso banco de dados. Serão coletadas informações como número de empregos direto e indireto, faturamento do setor, índice de demissão, os principais problemas, investimentos anual do setor e quanto o setor paga de imposto, entre outras.


Que outras medidas são prioritárias no plano de ação do Sindicato?


Benjamin – Por meio do Sindicato, vamos estimular a acreditação hospitalar, um certificado muito importante para a área de saúde capixaba. A acreditação é um atestado de qualidade e segurança. Atualmente, no Espírito Santo, apenas o Hospital Meridional adquiriu esse certificado, que é expedido pela ONA – Organização Nacional de Acreditação, credenciada ao Ministério da Saúde. Cinco hospitais capixabas já estão em processo de certificação: Evangélico, Santa Mônica, Vitória Apart e Santa Rita.


Qual o principal desafio do Sindhes para os próximos anos?


Benjamin – Conquistar a representatividade política do setor, de uma forma que o Sindicato passe a participar dos rumos da saúde no Espírito Santo. Hoje, nosso setor é um dos maiores empregadores no Estado.  Para se ter uma idéia, os dez maiores hospitais privados do Estado, juntos, empregam mais do que empresas de grande porte como a CST e a Aracruz Celulose. Todo setor hospitalar emprega algo em torno de 30 a 40 mil pessoas.



Para melhorar essa representatividade junto ao Governo, quais seriam as estratégias?


Benjamin – Vamos discutir sobre impostos, tributos e taxas que pagamos, e também sobre vigilância sanitária. Podemos ajudar muito o Governo na parte de prestação de serviços. Temos hoje mais de 30 hospitais privados, muito mais do que o Governo possui. Acho que podemos e devemos dar nossa contribuição, dividindo o conhecimento e experiência já adquiridos com medicina de alto custo e alta complexidade. Em contrapartida, iremos cobrar outras atitudes do Governo em relação a nós, que somos prestadores de serviço e de utilidade pública.



Quais as melhorias que o Sindicato pretende implantar para seus associados?


Benjamin – Temos um projeto de unificar os estabelecimentos de saúde nos setores de compras, lavanderia, treinamentos e recursos humanos. Essas medidas visam à redução de custos e a padronização da qualidade do serviço para os 205 estabelecimentos filiados ao Sindicato.



Qual a principal meta a ser atingida até 2008?


Benjamin – A profissionalização do Sindicato e do setor de saúde como um todo. As empresas do setor de saúde precisam ser administradas e encaradas como um negócio. Esses estabelecimentos tiveram origem pela administração de médicos, que encararam o negócio como banca de trabalho. Por esse motivo, já ocorreram uma série de contratempos no setor. Precisamos separar capital de trabalho.  Para isso, é preciso qualificar a mão-de-obra e informatizar o setor, facilitando o acesso a informações precisas, reduzindo riscos e viabilizando retorno financeiro.


Os estabelecimentos de saúde do Estado estão informatizados?


Benjamin – Na Grande Vitória, as clínicas e hospitais estão, na grande maioria, informatizados. O problema é no interior do Estado. O Sindicato está tentando fazer um convênio com uma empresa para facilitar que essas clínicas do interior possam se informatizar. A tendência é que tudo seja interligado ao Sndicato, on-line.



Como estão as negociações com os planos de saúde?


Benjamin – O que acontece é que quem paga a conta, não usa o serviço dos hospitais diretamente (que são os planos de saúde) e quem usa (o paciente) não paga a conta e sempre quer o melhor e mais rápido atendimento. E nós ficamos no meio dessa situação. O custo da saúde é maior do que o de outros setores devido ao uso de tecnologia de ponta, insumos importados e materiais caros. Saúde não tem preço, mas a medicina tem custo. É isso que tentamos mostrar para os planos de saúde, mas precisamos deles e eles de nós. Sendo assim, é necessária uma compreensão das dificuldades pelos dois lados.



Junto à Associação dos Hospitais, qual deverá ser o papel do Sindhes?


Benjamin – Trabalhamos em parceria com a Associação dos Hospitais, e a idéia é continuar nesse caminho. As atividades de treinamento de funcionários e implantação de sistemas informática nos estabelecimentos de saúde, por exemplo, ficam por conta da Associação.



Na avaliação do senhor, quais são os principais problemas enfrentados pelo setor?


Benjamin – O médico reclama que ganha pouco e o hospital não consegue receber dos convênios em dia e nem praticar uma tabela de preços que remunere seu capital investido. O paciente acha que paga muito pelo plano de saúde, e o plano, em contrapartida, fala que recebe muito pouco dos pacientes se comparado aos custos hospitalares e médicos. Essa crise é no mundo inteiro. E ninguém ainda arranjou uma alternativa melhor do que o modelo atualmente praticado pelos hospitais e planos de saúde. Porém, novos modelos de prestação de serviço em saúde deverão surgir nos próximos anos e é na criação desse novo modelo mais justo que todos nós estamos trabalhando.



Qual o maior desafio do Sindhes?


Benjamin – O maior desafio é achar uma harmonia entre os quatro agentes do setor: usuários, médicos, hospitais e planos de saúde. Achar um número que seja satisfatório e que todos ganhem. Dessa forma, o setor de saúde se tornaria plenamente viável. O papel do Sindicato é ser o mediador, para que o setor fique sustentável, já que é fundamental.



Quais as vantagens que o Sindicato oferece para seus associados?


Benjamin – O Sindicato administra e conduz os acordos do dissídio coletivo da categoria. Oferecemos ainda assessoria jurídica e assessoria de imprensa, gratuitas, para todos associados. Contamos também com assessoria contábil e assessoria técnica de confecção de custos. Disponibilizamos um auditório com capacidade para 40 pessoas para reunião e eventos, com datashow e toda a infra-estrutura necessária, dentre outras vantagens.